But
on being questioned about the significance of something I have written,
a phrase,
an object, a character, my first reaction is always one of perplexity
and fright: I don’t know, in truth I hardly ever know. Because
the text, in the way it develops, acquires a structure of its own,
bringing its resources from the depths of my subconscious of which
I myself know very little, and goes building itself up through whatever
talent I might have – above all through the enormous joy writing
gives me, with that sense of challenge, of chill in the spine, the
shiver of anticipation before opening a safe, a window, a secret door. Not
that I write as though in a dream, without effort, without work or
discipline.
But something beyond that, something more than my capacity and experience
pours itself out of me when I write, and that imponderable, which I
love and respect, and to which I surrender, is an unknown territory
I neither need nor want to unveil entirely: I will leave as is, and,
for that very reason, each time it should be a miracle in me. Uma
das tarefas mais dificeis é falar sobre o que escrevemos. Sou dos escritores
que nāo sabem dizer coisas inteligentes sobre seus personagens,
suas técnicas ou seus recursos. Naturalmente, todo o que faço
hoje é fruto de minha experiência de ontem: na vida, na
maneira de vestir e me portar, no men traballho e na minha arte. Mas
ao ser interrogada sobre o significado de algo que escrevi, uma frase,
uma
objeto, um personagem, minha primeira reaçāo é sempre
de perplexidade e susto: nāo sei, na verdade quase nunca sei.
Pois o texto, à medida que se desenrola, adquire uma estrutura
própria, traz seus recusos de fontes do meu inconsciente de
que eu mesma pouco sei, vai-se elaborando através de algum talento
que eu tenha – sobretudo através da enome alegria que
me dá escrever, com essa sensaçāo de desafio, de
frio na espinha, de estremecimento antes de abrir o cofre, a janela,
a porta secreta. Nāo
que eu escreva como num sonho, sem esforço, sem trabalho ou
disciplina. Mas algo além disso, algo mais do que minha capacidade
e experiência se derrama de mim quando escrevo, e esse imponderável,
que amo, e respeito, e ao qual me entrego, é um território
que nāo sei, nāo devo ou nāo quero desvendar inteiramente:
deixo que fique quieto, e, por isso mesmo, seja cada vez um milagre
em mim. Cançāo
da mulher que escreve Nāo
perguntem pelo meu poema: Nāo
queiram entender minhas palavras: Song of the Woman Who Writes Don’t ask me questions about my poem: There’s no need to understand my words:
|
||||
|